Analise de Mercado


AS OBRIGAÇÕES soberanas dos países da periferia da Zona Euro recuperaram fortemente no final da semana passada. O mercado ficou mais tranquilo depois das declarações de Angela Merkel e outros políticos europeus que sugeriram que o FMI e a União Europeia
estariam a terminar as negociações para concluir o plano de ajuda à Grécia e que a votação desta semana no Parlamento alemão decorreria conforme o esperado, sendo assim aprovado um pacote de ajuda que cobriria as necessidades de financiamento de Atenas nos próximos três anos.

Depois de os CDS de dívida grega atingirem o pico na terça-feira a 849 pontos base, caíram para cerca de 650.A marcar ainda a semana passada
estiveram também o downgrade, pela agência de ratings S&P, à dívida da Grécia para junk bonds (BB+), da dívida soberana espanhola e de Portugal para A-, que vem reflectir o estado preocupante das finanças públicas dos países da periferia.O índice nacional PSI 20 caiu temporariamente cerca de -6,5% para depois recuperar, e o índice espanhol cerca de 4%. As yields das obrigações a 10 anos
espanholas (que têm um comportamento inverso aos preços) subiram para cerca de 4,15%.

Os downgrades de Espanha e Portugal criaram uma onda de pessimismo relativamente à periferia, com o mercado a especular que os graves problemas da Grécia estavam a alastrar-se aos restantes países. Na sequência destes episódios, vários responsáveis do BCE afirmaram que “cabe aos governos assegurar que a crise, que inicialmente afectou o sector financeiro, não se traduz numa grave crise de dívida soberana europeia. Evitá-la requer medidas de consolidação fiscal muito ambiciosas”.

O euro caiu para cerca de 1,31 face ao dólar, estabelecendo um mínimo de 12 meses. Pelo lado positivo, a taxa de desemprego na Alemanha caiu para 7,8% de 8%, o ritmo de declínio mais rápido em dois anos, e o nível de confiança quanto ao cenário económico na Zona Euro subiu para o máximo em dois anos.

Do outro lado do Atlântico, a Fed manteve inalterada a taxa de juro de referência em 0,25% e melhorou ligeiramente o cenário macroeconómico,mostrando-se mais optimista relativamente ao mercado laboral e também ao mercado imobiliário e consumo privado
que agora caracteriza como “a recuperar”.O banco central reiterou a promessa de manter as taxas de juro baixas por
um “longo período de tempo” sublinhando que as condições económicas,incluindo taxas baixas de utilização de
recursos, permitiram controlar as taxas de inflação, sinalizando que não estará para breve uma eventual subida
de taxas.

Fonte:oje